12.6.18

Sobre viajar sozinha

12.6.18

Acabo de chegar de uma viagem maravilhosa ao Chile. Conheci lugares e pessoas incríveis, realizei meu sonho de ver neve pela primeira vez na vida.

Valle Nevado

Valle Nevado


E uma frase que ouvi muitas vezes ao longo desses dias, me fez pensar: " Poxa Cacau, queria ter a sua CORAGEM de viajar sozinha..." 
Um cafe e o check-in, por favor! 

Ouvi isso de amigas, e até de companheiras de voo, sentadas ao meu lado, uma viajando com o marido, outra com a filha. Achei interessante o fato de que nenhuma delas mencionou a falta de dinheiro (que vai gerar outro post em breve) ou mesmo de vontade para viajar. Apenas a falta de CORAGEM.

Porque ser mulher é assim - nossa vida é pautada pela percepção (muitas vezes verdadeira) de que algumas coisas podem ser perigosas para nos. Andar sozinha é uma delas. Andar sozinha FORA do nosso habitat natural - nem se fala... 

Falei um pouco sobre isso no stories. Sou carioca, nasci e vivo no Rio de Janeiro, e não há outro lugar hoje onde eu me sinta mais insegura. Acho difícil que outra cidade hoje supere o medo que tenho de circular pela cidade do RJ.

Sempre viajei muito a trabalho, e algumas vezes, sozinha. Então o dormir sozinha, estar longe de casa, lidar com hotéis e aeroportos não é nenhum bicho de 7 cabeças para mim [e nem é mesmo nada complicado]. 

Dito isso, já viajei sozinha dentro do meu próprio pais - a primeira vez, fui para Salvador, em 2008. Fiz amizade com uma galera no hotel, saímos umas noites para jantar, mantemos contato por redes sociais até hoje. 

Em 2013, vi que tinha milhas para ir mais longe, e tinha o sonho de conhecer Nova York. Claro que a primeira pessoa que pensei em ter comigo nessa viagem, foi meu marido. Mas ele tem fobia de voar, e 10 horas de voo seriam demais para ele. Então, fui sozinha. Foram 05 dias incríveis - e o mais legal foi que assim que fiz checkin no facebook, uma amiga que estava em NY com a mãe e a irmã, comentou no meu post, nos encontramos, passeamos e fizemos compras juntas, por alguns dos 5 dias, e foi ótimo. Também aproveitei para conhecer uma amiga que só conhecia dos grupos de facebook e que vive em Nova Jersey - e que nunca tinha ido a estátua da liberdade apesar de viver por anos nos EUA. Foram dias de muita conversa boa e descobertas, para ambas. 

Eu e Bia passeando em NY, 2013! 
Esse ano, novamente: milhas suficientes, um sonho na mente - conhecer a neve. Marido declinou da ideia por causa do avião - lá fui eu sozinha para o Chile, realizar meu sonho.

Viajar sozinha me permite ser dona do meu tempo - muitas vezes viajamos em casal e em família e alguém tem que "ceder" seu desejo de ir a algum lugar para encaixar as vontades de todo mundo. Sozinha, decido que passeios fazer e se não fizer tudo que planejei, ok, tudo bem. O bacana é desfrutar dessa "liberdade" de fazer o que e quando quiser!

Por outro lado, viajar sozinha, é BEM diferente de estar sozinha todo o tempo. No próprio voo já é possível fazer amizades. Fiquei num hostel, e foi a melhor decisão - conversas animadas com brasileiros e estrangeiros no café da manhã e à noite, regadas a muito vinho. Foi ótimo!
 
Area comum do Hostel

Cafe da manha 


Gentileza gera gentileza, neh? Me oferecia para tirar fotos de casais e grupos, e eles tiravam minhas fotos também, em alguns casos percorríamos os pontos juntos. Tudo muito tranquilo, nunca ninguém recusou minha ajuda, nem recusou a me ajudar ou saiu correndo com o meu celular. rsrsrsrs

Fotos gentilmente tiradas pelas amigas em viagem...tirei a delas, elas a minha. 
Fotos gentilmente tiradas pelas amigas...eu tirei a delas, elas a minha. 

Mesmo socializando na maior parte do tempo, sempre há momentos em que fico sozinha. E nesses momentos curto minha companhia, leio um livro, reflito, agradeço a oportunidade de estar ali, penso no futuro, nos meus próximos planos. Apenas curto minha companhia, e isso é muito bom. 

Um vinho, empanadas e uma tomada por favor , antes de seguir passeando . 


Os cuidados com seguranca em outras cidades, são muito parecidos com os que tenho na minha cidade:

- Tenho fotos dos meus documentos (RG, Passaporte, vistos) no google drive. Assim se perder tudo, inclusive o celular, consigo acessar minha conta e ter cópia desses documentos para ir a embaixadas/consulados. Felizmente, nunca precisei. 

- Sempre tenho moeda local, trocada para uma emergência. Sempre tenho endereço e telefone dos hotéis, assim como a reserva dos voos e hotel, no celular e off-line (em papel) caso precise.

- Sempre faço checkin dos lugares (pontos turísticos) onde estou (faço quando estou saindo desses lugares, por segurança), no facebook, Assim se (Deus me livre) acontecer algo e eu deixar de fazer contato, minha família saberá ao menos os últimos lugares por onde passei. 

- Documentos, celulares, dinheiro, cartões de credito e outros itens importantes, sempre comigo, não deixo meus pertences longe dos meus olhos nem por um momento.  Ha alguns museus que oferecem lockers para guardar bolsas. e ainda assim, tiro meu celular e  documentos/dinheiro/cartoes e mantenho comigo -  guardo a bolsa com carregador, lanches, sombrinha, etc.  

- Ando sempre com o carregador do celular e se a bateria começa a baixar de 50% procuro logo um lugar para carregar - uma pausa para um café resolve isso, gente.  Manter-me online me ajuda a me sentir segura. Ter baterias externas (power banks) também ajuda bastante. Para mim é importante pensar no celular não apenas para tirar fotos, mas como um item de segurança.

- Ouço sempre o que os locais dizem sobre segurança. Me aconselharam, por exemplo, a tomar cuidado com os taxis em Santiago, porque alguns trapaceiam na hora de dar o troco (porque alguns turistas se confundem com a moeda). Usei Uber, só peguei taxi na porta do shopping onde havia um carro de polícia (segundo os locais, os carros que param ali são mais confiáveis). Quando fui pedir taxi para ir ao aeroporto, a recepção do hostel pediu pra mim e eu paguei ao hostel, que repassa o valor pro taxi.  

- Andei a noite, mas da mesma forma que não ando de madrugada no RJ, não ando fora do RJ, a menos que haja companhia que eu confie. Estando perto do hotel,  voltei a pé por que era seguro e movimentado. Quando estive mais longe, peguei taxi ou Uber conforme o caso. 

- No mais, me abro a possibilidade de conhecer gente nova, bater papo, e estar comigo mesma por um tempo. Foi maravilhoso e, ate hoje, minhas experiencias foram muito positivas. 

A serenidade de quem voltou exausta mas realizada e feliz! 

Nem sempre vou ter companhia para fazer o que eu quero, pelos mais diversos motivos, mas aprendi que meus sonhos são MEUS e de mais ninguém, e não devo condicionar a realização deles, a ter alguém para me acompanhar.

Ainda há muitos lugares que quero conhecer. E os anos vão dizer se vou sozinha ou acompanhada. Se tiver companhia para realiza-los (meu marido, alguém da minha família, meus amigos), ótimo.  Mas se não tiver, sei que posso ir sozinha e me aventurar com segurança. 

E SIM, ha paises/lugares que eu NAO iria sozinha. Mas ha muitos lugares em que podemos nos aventurar com seguranca, tomando os devidos cuidados. 

Ha muito o que falar sobre viagens e pretendo escrever mais a respeito. E você, já viajou sozinha? Tem vontade? O que te impede de fazer isso? 

Me conta!

Beijos!










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