11.5.19

Autocuidado & Redes Sociais

11.5.19
Pode parecer contraditório uma blogueira falar em cuidado com redes sociais. Mas é fato que as redes fazem parte da nossa vida, e das nossas relações. Mas elas não vêm com um "manual de instruções" e precisamos ter critério no seu uso.

Meu objetivo aqui é te fazer pensar sobre suas redes e ver o que pode ser feito diferente. 

1) Precisamos mesmo ter TODAS as redes? 
Facebook, LinkedIn, Instagram, Twitter, Tumblr, Whatsapp , Telegram ....? Cada uma tem sua característica e utilidade, mas você precisa mesmo ter contas ativas em TODAS as redes?


2) Você precisa mesmo aceitar TODO MUNDO nas suas redes? 
Você leva desconhecidos para dentro da sua casa e deixa perto dos seus filhos? Ou leva gente que acabou de conhecer para dentro da sua empresa? 
Da mesma forma, deveriamos ter critérios semelhantes para quem aceitamos nas nossas redes. 
É potencialmente perigoso aceitar pessoas que você não conhece direito, ou nem faz parte da sua convivência, num espaço em que você compartilha momentos da sua familia e amigos. Pense nisso! 


3) Você precisa mesmo ler e RESPONDER TODOS OS COMENTÁRIOS? 

Como blogueira, faz parte da interacao com usuarios responder aos comentarios. Felizmente, foram poucas as vezes em que fui alvo de ataques no blog. No instagram nunca aconteceu.

No facebook, já há um tempo me desobriguei de ler e responder a todos os comentários nos meus posts. Porque muita gente vai la basicamente, destilar preconceitos e raiva. e nao sou obrigada.

Apenas repense o quanto de tempo você gasta interagindo e manifestando reações  nas redes, e como isso muitas vezes afeta seu humor, seu sono, e as suas relações com as pessoas.



Acordar e ja olhar o celular, quem nunca? Mas é  mesmo necessário?



4)Você precisa mesmo manifestar opinião sobre tudo?

Toda postagem gera em nós uma reação. Gostamos ou não, concordamos ou não, achamos lindo ou absurdo, revoltante...A questao é: precisamos mesmo dar nossa opinião em todas as postagens? Acima de tudo, se a nossa opinião pode ofender ou magoar, precisamos mesmo falar ja que ninguém nos perguntou?

Ah mas rede social é para isso...Na verdade, não é não. As redes foram projetadas para ser um espaço de interação global,  e podem ser fonte de encorajamento, aprendizado ou de adoecimento mental e emocional. Tudo depende de como usamos. 


5)Você acha que as pessoas são mesmo tão felizes/bem sucedidas/resolvidas como aparentam nas redes? 

Sempre postamos a foto mais legal, com melhor ângulo, o melhor sorriso, a melhor paisagem. E isso tem levado muitas pessoas a pensar que a vida alheia é bem melhor e interessante que a sua. Redes Sociais NÃO retratam a vida de ninguém. Ali mostramos o que queremos mostrar. A vida acontece FORA dali, atrás do smartphone.

A grande armadilha aqui é a COMPARAÇÃO. Somos seres únicos. Ninguém tem a nossa história ou precisou fazer as nossas escolhas. Nossa vida é um somatório de vivências e aprendizados, e é muito difícil e perigoso reduzirmos toda a nossa complexidade a fotos e postagens. Ou mesmo avaliar a felicidade  dos outros a partir de redes sociais. Muitas fotos sorrindo foram tiradas depois de muitas lágrimas derramadas. E nem sempre as pessoas contam...

Não se deixe levar pela impressão da vida super legal e bacana do outro. Na verdade a vida dele deve ser tão normal  e cheia de boletos quanto a sua, com alguns momentos de descontração. 

  
6) Quantas HORAS do seu dia voce tem dedicado a redes sociais?

Quanto tempo que você poderia estar dedicando a um projeto pessoal, está sendo consumido pelas redes sociais? 

Qual foi a última vez que você leu um livro? Ou encontrou um(a) amigo(a) e deu a devida atenção a pessoa que estava NA SUA FRENTE, ao invés de ficar vidrada no celular?

Se você quer saber quanto tempo tem gasto em redes sociais, alguns aplicativos podem ajudar. Um deles eh o QUALITY TIME. Eu o tenho instalado no celular, e os primeiros dias foram reveladores. Assustador o tempo gasto nas redes bem como a quantidade de vezes que desbloqueei a tela do telefone. Tudo isso revela tempo que pode ser usado em outras atividades que talvez estejamos deixando de lado. 

Juntos, mas nao prestando atencao um ao outro...


Como eu venho buscando melhorar minha relação com as redes:


  • Por muito tempo fui usuária assídua do facebook, mas me cansei com o tempo,  hoje uso bem menos e estou amadurecendo a idéia de desativar minha conta.
  • Tinha uma fanpage do blog, que desativei por não ver tanto valor e ser mais uma coisa para ocupar meu tempo.
  • Twitter eu uso mais como um canal de acesso rapido a notícias  e comunicação com empresas e concessionárias, funciona muito bem!
  • Whatsapp eh um mal necessário atualmente, já que todo mundo utiliza o app para se comunicar. Gosto mais do telegram, mas nem todo mundo aderiu.
  • Saí de vários grupos de whatsapp  que consumiam tempo demais e pouca interação realmente benéfica. E sigo fazendo essa análise e saindo sempre que algo não me acrescenta coisas boas.
  • Linkedin eh uma ferramenta profissional , necessária para quem está no mundo dos negocios, 
  • Nao abro redes sociais assim que acordo. Muitas vezes uma noticia ruim pode determinar o humor do nosso dia que acabou de começar..
  • Nos dias que vou para academia , so vejo redes sociais quando chego lá. Isso evita que eu perca tempo pela manhã.  E só fico com o celular quando estou fazendo aerobico, e guardo o celular quando vou fazer musculação.Assim o treino eh focado e mais rápido.
  • Como blogueira, busco atualizar e responder comentários meu instagram quando estou no transito (lembrando que eu NÃO DIRIJO) indo ou voltando. É uma forma de utilizar esse tempo de deslocamento e me atualizar. 
  • Estou fazendo um esforço consciente de não usar o celular quando estou presencialmente com amigos. Se aquela pessoa tirou o pouco do tempo dela para estar comigo, eu devo estar ali com ela. Isso é, em última análise, RESPEITO pela pessoa que está conosco. Isso vale para relacionamentos também. Precisamos rever a nossa forma de usar o smartphone e dar  a devida atenção  a quem está A NOSSA FRENTE! 

Ainda conviveremos com as redes por muito tempo, e novas surgirão. Aprender a utilizar e acima de tudo ESTABELECER LIMITES , é o diferencial para uma relação saudável com essas ferramentas relativamente novas para nós.

E você, como usa suas redes? Acha que cabe algumas mudanças no uso? Me conta!









30.3.19

Autocuidado #3 - Alimentacao

30.3.19


A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Pra aliviar a dor

32 anos atrás (inacreditável que essa música já tenha tanto tempo!), o grupo de rock Titãs já declarava brilhantemente que a gente não queria só comida.

Pensei nesse post sobre alimentação, e empaquei semana passada. Porque este é um assunto que me remete a muitas questões ... Mas hoje consegui terminar. Vamos la! 

O ato de comer e beber é (ou deveria ser) natural a todos nos. Nos alimentamos para nos manter vivos, mas refeições e bebidas também servem para celebrações, para aproximar pessoas.



Ocorre que comer e beber, enquanto atos socialmente aceitos, podem sutilmente se tornar VICIOS. A vida atual tem deixado a todos nós extremamente cansados, ansiosos, frustrados, sem tempo e muitas vezes sem ânimo para tocar a vida e dar atencao ao que nos faz de fato felizes. Precisamos muitas vezes extravasar nossas emoções, ou relaxar, e canalizar nossa energia, para algo que nos cause prazer. E a comida e a bebida nos proporcionam esse prazer rápido e é de muito fácil acesso.

Além disso, numa sociedade em que somos incentivados a comer e beber o tempo todo, também sofremos uma pressão intensa para ter um corpo padrão - magro. 

E para complicar, com a infinidade de informações sobre alimentação e saúde, cada dia um alimento é "demonizado" e outro "santificado". Vivemos uma época já chamada de "terrorismo alimentar"  - muitas pessoas  estão confusas e  com medo de comer, e desenvolvendo transtornos relacionados.

separacao entre alimentos proibidos e permitidos geram mais ansiedade ao comer - equilibrio eh a chave!

 Como ex-obesa e bariatricada que sou, a vida inteira tive uma relação conflituosa com a comida, e hoje com 38kg a menos, a jornada segue, em busca de equilíbrio. 

Não pretendo de forma alguma aqui discutir sobre o que alguém deve comer. Cada indivíduo eh único e somente um profissional de nutrição pode dizer qual a melhor forma conduzir sua alimentação. Mas vale refletir:

  • Você come com prazer? Ou fica preocupado O TEMPO TODO se aquele alimento ou bebida vai te engordar, ou não?
  • Você come quando tem fome? Ou se percebe comendo também - e frequentemente -  quando está triste, entediado, com raiva, sozinho, preocupado, querendo evitar uma discussão ou situação ruim...? 
  • Quando em eventos e celebrações, você escolhe o que vai comer, come o que gosta, ou sai comendo indiscriminadamente e muitas vezes se excedendo e passando mal depois, só porque existe uma abundância de oferta ao seu redor?
  • Você consegue se declarar saciado, e parar de comer/beber mesmo quando todos ao seu redor seguem comendo/bebendo? Ou come enquanto todos estiverem fazendo isso, “para fazer companhia ao grupo” mesmo já estando saciado?
  • Na sua alimentação diária, você se preocupa em fazer refeições variadas, com todo tipo de alimento, mesmo eventualmente algum que não seja considerado "saudável"? Porque viver só pra comer coisas saudáveis, e ter medo dos demais alimentos, também pode ser indicio de algum problema no relacionamento com a comida!

São muitas as reflexões possíveis sobre o tema. E o autocuidado com a alimentação envolve principalmente,
  • Ter clareza não apenas do que se come, mas do POR QUE.
  • Respeitar o nosso corpo, buscando oferecer a ele o que tivemos de melhor ao nosso alcance em termos de alimentação, e não o sobrecarregando com excessos. 
  • E caso a gente perceba que existem questões emocionais influenciando negativamente na forma de se alimentar, que busquemos ajuda.

Sim, comida não apenas nos mantem vivos, mas traz conforto, e alegria. E manter essa relação saudável é essencial para uma vida com equilíbrio.

comer um pouco de tudo...com moderacao!

E você, como percebe a sua relação com a alimentação? Acha que cabe refletir e fazer ajustes nesse sentido?






17.3.19

Autocuidado 2#Nossa relacao com o vestir

17.3.19
A partir de uma conversa com um grupo de amigas, acabei fazendo uma reflexao sobre como as minhas vivencias se refletem na minha forma de me apresentar pro mundo.

Enquanto crianca negra, pobre e de periferia, uma das primeiras coisas que aprendi eh que tinha que que andar o mais limpa e arrumada possivel (e SEMPRE COM DOCUMENTOS), para  ser "bem tratado"  - leia-se: evitar ser confundida com bandidos na rua. Nao existe, para um negro de periferia, botar um short,camiseta e chinelo e ir pro um shopping ou um banco, sem que varios medos passem pela sua cabeca, sem que um seguranca siga voce numa loja... Medos que infelizmente, se realizam em episodios de racismo e ate  tragedias para muita gente. Essa eh a minha primeira referencia sobre como e porque me vestir. E sim, se voce nao eh negro e nao imagina que isso passa pela mente de uma pessoa negra ao sair de casa TODOS OS DIAS, reflita sobre seus privilegios em nao ter que esse tipo de preocupacao na vida! 

Euzinha, 5 anos e um vestido feito pela minha mae. 

Alem disso, fui criada dentro de uma religiao crista, sempre usando roupas formais na maior parte do tempo. E venho de uma familia de costureiras, entao roupa nunca foi problema! A gente ganhava e comprava roupas,  e sempre tive MUITA coisa mesmo. 



Ao me tornar adulta, desde o primeiro emprego, trabalhei  em ambientes corporativos, cujo codigo de vestimenta era tambem formal. Isso moldou muito a minha forma de me apresentar pro mundo - eu sou basicamente bem classica e formal , com alguns toques de personalidade. Eu me acho bem "coxinha" pra me vestir, bem arrumadinha rsrsrs



E minha maior referencia de moda, depois das mulheres da minha propria familia materna que sao um loooxo, sao as negras americanas! O clima de la eh bem diferente daqui, e como eu amo inverno, morro de paixao com o estilo delas de se vestir e se arrumar. 

Minha mae (de amarelo) e minhas tias. Um looxo so!

Um quarto fator influenciou a minha forma de me vestir - toda a minha vida, ate 2017, eu estive obesa. Fui plus size por praticamente toda a minha vida e com muitas dificuldades de encontrar roupas que eu gostasse e caissem bem.  Da mesma forma , por muitos anos eu fiquei impossibilitada de usar saltos altos por conta do excesso de peso e aprendi a criar meu estilo sem eles. 



Durante muito tempo eu vivia frustrada por nao me ver representada tal como gostaria, e acabei me tornando blogueira de moda, sendo assim minha propria referencia. O blog e instagram atuais, cacaustyle, nasceu dessa necessidade de me ver enquanto mulher negra no mundo corporativo. Somos muitas mas nao nos vemos representadas em lugar algum!

Adicionar legenda

Tudo isso se reflete nas minhas preferencias atuais: prezo mais a elegancia e o conforto do que a sensualidade, gosto  de pecas basicas, classicas com um toque de originalidade.. Alem disso amo rendas, brilhos, estampas, acessorios e texturas diferentes.  Nos pes, prezo sapatos confortaveis, saltos grossos e me recuso a usar saltos altos e finos se me machucarem, nao adoto o "tudo por um look" nao. Nao me animo com todo e  qualquer lancamento de moda, sei o que gosto e uso independente de estar ou nao nas tendencias do momento. 

Euzinha no casorio de uma amiga 

Ficar leve e Vestir um manequim abaixo de 44 foi uma conquista recente e ainda estou me acostumando com isso e descobrindo do que eu REALMENTE gosto, ja que a vida toda eu vestia e calcava o que conseguia, nao o que eu queria. 

Jeans Destroyed...demorei bastante a me render mas hoje eu amo! 

Nos primeiros meses apos ter emagrecido,  dei uma enlouquecida forte e comprei tudo o que via pela frente, muitas vezes so pela alegria de comprar naquela loja onde antes eu nao comprava nada. Tudo fez parte de um processo de resgate e descobertas sobre mim. Mas num dado momento comecei a questionar todo aquele consumismo e me coloquei um freio. Hoje busco ter em casa somente o que eu realmente uso. O restante foi doado ou vendido. 

Saia de couro vermelha, uma das minhas "ousadias prediletas" do armario atual! 
Hoje,  minha forma de autocuidado no quesito roupas, reside justamente no respeito pela minha historia e vivencias, e tambem no cuidado com a questao financeira. ao evitar compras por impulso. Ao mesmo tempo que tento me abrir para o novo - novas pecas, modelagens, experimentacoes, respeito meu jeito de ser e nao tento usar o que nao me representa, apenas para ficar "na moda". 


Meu atual desafio no instagram - criar 30 looks diferentes com o que tenho, antes de comprar algo novo!

E como em tudo na vida, NAO SOU OBRIGADA A NADA! Tudo bem ser basica, tudo bem nao curtir mix de estampas, tudo bem nao querer ser sexy, tudo bem querer ser femme fatale, tudo bem adorar usar tenis .  Se voce acha que pode mudar algo no seu estilo de se arrumar, vale a tentativa, afinal sempre eh bacana experimentar coisas novas. So nao se sinta obrigada a isso,  para aparentar ser alguem que nao condiz com sua personalidade.


Voce ja havia pensado em como as nossas vivencias moldaram nosso modo de se vestir e se apresentar? Somos o resultado de todas as nossas  historias, e fazer essa reflexao aumenta nosso autoconhecimento. Mais do que isso, numa sociedade que nos tenta impor padroes a todo momento, nos ajuda a descobrir o NOSSO PROPRIO PADRAO DE ESTILO. porque esse eh o que importa!


E voce? Como as suas experiencias ate aqui, moldam o seu jeito de se vestir? Voce gostaria de mudar alguma coisa? 

O proximo tema do autocuidado eh sobre ALIMENTACAO! Nao perca!!! 





10.3.19

Autocuidado - 1#Aparencia Externa

10.3.19
AUTOCUIDADO é um conceito novo. Sempre falamos na vaidade e na autoestima, mas a ideia de cuidarmos de nos mesmas  num nível mais profundo e interior - é uma novidade e  ainda estamos aprendendo sobre ele. 

Decidi fazer uma série de posts falando do que aprendi sobre autocuidado, pois de tão abrangente que considero esse tema, um post somente não daria conta.  Esse primeiro post eh sobre cuidados externos. 



Enquanto mulheres negras, autocuidado se tornou uma necessidade ainda mais urgente, dados os danos mentais e emocionais causados pelo preconceito e racismo sofridos diariamente pela maioria de nos. Alem disso, as condicoes socio-economicas de boa parte de nossas mulheres eh precaria, e eh um desafio diario encontrarmos tempo, recursos e mesmo energia, para investirmos em nos mesmas. 

Começo dizendo que vaidade, autoestima e autocuidado, embora sejam conceitos que se cruzem, não são sinônimos. Como somos muito (e erradamente) orientados a avaliar o proximo pela aparencia externa, podemos tirar muitas conclusoes equivocadas sobre alguem. 

Você pode ser super vaidosa e ter um autocuidado e autoestima deficientes, assim como você pode ter uma autoestima em dia, estar em dia com seu autocuidado e aos olhos dos outros parecer pouco vaidosa. 

Como todos esses termos passam pela nossa aparência, começo esse tema dizendo que VOCÊ NÃO É OBRIGADA A NADA. 
  • Você não eh obrigada a se usar maquiagem se não quiser ou gostar .
  • Você não eh obrigada a fazer unhas e depilação regularmente se não estiver a fim;
  • Você nao eh obrigada a ser lisa, cacheada ou crespa;
  • Você não eh obrigada a ser magra ou sarada nem ter um corpo para atender um padrão seja ele qual for;
Dito isso, a questão não é o que a gente faz, mas o porquê.  Será que eu não gosto mesmo de tudo isso? O que motiva minhas escolhas sobre a minha aparencia externa? 

Sera que estou dedicando tanto do meu tempo e energia as demandas dos outros (amigos, familiares) - aos quais tenho dado mais importância do que a mim mesma, de modo que a ideia de  investir na minha aparência, parece perda de tempo ou não essencial? 

Por outro lado, será que a opinião dos outros sobre a minha aparência eh tão importante para mim, que eu invisto cegamente nisso altas doses de tempo, energia e dinheiro,  e deixo de dar atenção a outros aspectos importantes da minha vida, como amizade, carreira, família, outros planos pessoais, etc? 

E se estou fazendo, o faco por mim mesma, para me curtir, para celebrar a minha beleza unica? Ou para evitar cobranças dos que me cercam? 



Falando de mim: eu sou muito vaidosa. E venho tentando encontrar o equilibrio entre  seguir me cuidando externamente, e dar atenção a outros aspectos do cuidado comigo. Dentro da perspectiva do autocuidado, tal como eu o entendo, cuidar da minha aparência eh uma forma de cuidar de mim, e não apenas para causar boa impressão para terceiros.

Faz parte do meu autocuidado,  buscar me apresentar da melhor forma, de modo a me sentir a vontade e dar o meu melhor naquela ocasião. Escolher com cuidado produtos e cosmeticos que coloco no meu corpo, e buscar ter prazer nesses momentos em que cuido dos meus cabelos, unhas, da minha pele e do meu corpo, das minhas roupas. Não eh sobre cabelo, unhas e maquiagem. E tambem nao eh sobre impressionar ninguem. Mas eh sobre reconhecer que meu corpo eh a minha casa e preciso cuida-lá e preservá-la da forma que A MIM pareca melhor.


Faca para voce e por voce!!

E voce, como ve essa questao sobre cuidar-se externamente? Como voce pensa o seu autocuidado?

O proximo post de autocuidado sera sobre roupas. Aguarde! 




15.2.19

Maturidade, meia idade e velhice

15.2.19
Um belo dia de 2018 eu, sabe-se lá por que motivos, fui procurar matérias sobre meia idade na Internet. Afinal.. Né? 46 anos, hora de comecar a pensar no assunto. 


Eu, 46 anos e bem blogueirinha! 

Eis que para minha surpresa e um leve desespero,  descobri que a meia idade começa aos 35 anos! Estou há 11 anos nessa jornada e nem sabia 😮😮😮

Sim querid@s. A chamada meia idade pelos critérios clínicos, vai dos 35 aos 58 anos. E a partir daí entramos na chamada 3a idade. 

Fiquei muito chocada, viu! Ensaiei uma crise, mas nao tenho vocacao pra isso 😂😂😂

Então somos criancas ate os 18 anos e  considerados "adultos jovens" por mais 18 anos apenas? Dos 76 a 80 anos que a nossa expectativa de vida nos confere? Isso me pareceu bem injusto viu!! Sem contar que eh bem injusto que justamente quando a gente alcança a sabedoria ao longo da nossa trajetória, nosso físico começa a dar sinais do tempo! 

E ainda assim, com os avancos da ciencia e da tecnologia, hoje chegamos aos quase 50 anos muito mais jovens fisicamente, do que nossos pais quando chegaram a essa mesma idade. 

Angela Basset, 58 anos. Diva!!!

Claro que isso vai depender do estilo de vida e de condicoes socio-economicas de cada pessoa, mas eh fato que hoje temos condicoes de ter uma vida plena, produtiva e com saude ate a casa dos 80 anos, dependendo da vida que se leve. 

Viola Davis, Rainha! 51 anos

Uma coisa que observo, eh que as preocupações foram mudando com o tempo, e eh natural que seja assim.  Esse post poderia ser sobre beleza e estilo nessa altura da vida mas sobre isso falo la no instagram Cacau Style rsrsrs 

Tenho  muitas outras preocupações em mente. E olhando para o futuro, o que ocupa a minha mente atualmente :

Familia - Especialmente meus pais, já idosos. Estar tão presente quando possível e dedicar tempo de qualidade a eles. 

Relacionamentos  - Sou casada ha 10 anos..e pretendo continuar [e digo PRETENDO porque...neh? So 50% dessa decisao esta nas minhas maos 😇😇😇]  E os relacionamentos tambem se transformam ao passo que , individualmente, nos transformamos. Viver junto e planejar uma terceira idade a dois tambem eh um desafio nesses tempos de incertezas de toda a sorte. Para alem dos relacionamentos amorosos, amizades tambem vem, se consolidam ou mudam, com o passar dos anos. E felizmente, novas amizades tambem chegam a cada nova fase da vida.

Aposentadoria - A reforma da previdência parece ser inevitável. Eu completo 25 anos de contribuição esse ano. Conseguirei me aposentar? Quando?  E o que fazer DEPOIS? E falando nisso.... 

Carreira-  Num Mercado de trabalho em transformação constante, como me adaptar e permanecer empregavel no mundo atual, com mais de 50 anos? 

Saúde - Seja o que acontecer nos 03 primeiros itens, preciso de saúde para os próximos 30 a 40 anos da minha vida! A obesidade esta sob controle, mas o avanco da idade traz seus proprios desafios, independente do peso - comecando pelo Climaterio que eh beeem complicado viu? Como lidar com os desafios a frente e manter a saúde física, mental e emocional? 

Velhice - Sim, velhice! Escolhi não ter filhos. E não tenho sobrinhos. Como será minha vida daqui a 30, 35 anos? Quem estará ao meu lado até então?  Terei condições de seguir realizando meus sonhos até lá? Terei organizado a minha vida para conseguir viver dignamente na velhice? 

Meus sonhos Eu tenho a minha Bucket List - uma lista de coisas que quero realizar antes de morrer. Como nao sabemos a data, eh uma lista de coisas a ser realizadas assim que as condicoes permitirem. Quantos deles conseguirei realizar, e quantos ainda estao por brotar no meu coracao? 

Sociedade - Como mulher negra e periferica, me pergunto, que mundo nos espera no futuro? Acima de tudo como eu posso ajudar a construir e modificar para melhor o mundo que eu quero viver? 

Essas e muitas outras preocupações povoam minha mente enquanto uma mulher de meia idade. E o passar dos anos tem me feito refletir sobre o que tem REALMENTE importancia e abandonar preocupacoes com coisas que nao merecem. Sim, a maturidade pode fazer de nos pessoas melhores, mais leves e felizes com a vida..tudo depende do que escolhemos levar conosco, de memorias, aprendizado e mesmo quem escolhemos deixar fazer parte das nossas vidas. Alias, a grande licao da maturidade eh aprender que podemos ter ESCOLHAS!

Sigo, vivendo, planejando, realizando e agradecendo... Mas pensando nos tempos a frente. Vivendo um dia de cada vez, e tentando planejar o futuro - que ja esta ali na esquina!

E vocês? Como tem lidado com o passar dos anos? Como se ve daqui a 10, 15 anos? Me conte!

25.1.19

06 anos de cabelo natural!!

25.1.19
Dia 25/jan/2013 foi um dia magico pra mim. O dia em que tirei o megahair depois de 1 ano e 3 meses em transicao, e decidi usar meu cabelo absolutamente natural.

2012. Eu em transicao, usando megahair 


Nao foi facil. Meu marido, por exemplo, ODIOU no inicio. Achou horrivel. Sim,ele eh negro. Mas aprendemos que nossa estetica eh feia, que nosso cabelo eh ruim e precisa ser MODIFICADO - amansado, controlado.domesticado... Entao ele tambem teve que aprender a lidar e conviver com essa estetica nova. 06 anos depois ja ouvi ate ele dizer que meu cabelo tava bonito hahaha Mas independente da opiniao dele, o cabelo eh MEU.

Janeiro de 2013 - Big Chop ou Grande Corte!!!

Janeiro 2013 - Big Chop ou Grande Corte..e Scab Hair!!!


Ouvi muita coisa: "Mas voce vai pro trabalho/casamento/qualquer lugar assim?" "E o que voce vai fazer com ele quando crescer?" Ah, ta na moda neh? Eu quero ficar com o meu cabelo black tambem MAS NAO IGUAL AO SEU" .... E doeu muito ouvir isso, acima de tudo, de pessoas negras proximas. Estamos falando de 6 anos atras quando ainda era rarissimo ver pessoas negras nas ruas, ainda mais com um cabelo crespissimo. Felizmente, gracas a nossa resistencia anos atras, o cenario mudou e hoje as ruas estao tomadas de mulheres e homens ostentando seus crespos por ai! 

Nessa jornada em busca de informacao sobre como cuidar dos nossos cabelos,  a primeira coisa que a gente aprende na internet eh que existe uma classificacao de cabelos que vai de 1a (liso) a 4c (crespo encarapinhado). E ai comeca o perigo da gente querer sair de um padrao pra cair em outro.




Essa classificacao eh para as americanas, onde a miscigenacao eh BEM MENOR que no Brasil. O cabelo 4C eh o mais crespo na classificacao deles. Muitos dos nossos cabelos no Brasil nao se enquadram em nenhuma daquelas classificacoes. O meu cabelo nao se enquadra em nenhuma dessas categorias, na minha opiniao. Seria um 4C, mas sao tantos cabelos diferentes do meu se identificando como 4C que eu tenho minhas duvidas rsrsrrs....  Eu basicamente gosto de dizer que ele eh crespo encarapinhado, e isso me basta.



Identificado o tipo de cabelo, comeca a "luta pelo cacho perfeito" - porque o ideal do cabelo crespo ainda eh muito  orientado ao ideal de beleza eurocentrico. Entao as meninas negras comecam a querer definicao de cachos - e alguns cabelos, simplesmente nao formam cachos, nem crescem o suficiente para que andem balancando cachos esvoacantes por ai. Nesse ponto muitas desistem, infelizmente. Mas cada uma a seu tempo e ninguem eh obrigada a nada nessa vida - nem a ser crespa natural!!! 

Eu percebi logo no meu primeiro ano que meu cabelo forma microcachinhos sim, mas que isso nao era importante pra mim - que eu nao teria a menor paciencia pra viver fazendo fitagem pra realca-los. Foi excelente pois ganhei foi tempo nessa vida HAHAHA



Mais do que a questao externa, me tornar crespa me fortaleceu. Aprender a ser quem sou. Me tornou muito uma mulher muito mais segura. Ser crespa pra mim foi decidir ser LIVRE e eh uma jornada que ganha  novos contornos a cada dia.

Um novo contorno dessa liberdade cruzei recentemente. Quando cansei de viver somente de afropuff e simplesmente decidi usar meu cabelo solto, como ele eh. Usar a versatilidade dele a meu favor. Foi muito engracado quando eu penteei ele pra cima e todo mundo pensou que eu havia cortado rs Coisas que so um cabelo encarapinhado faz por mim!
Sim, porque lido bem com a questao da textura, mas o comprimento sempre foi um problema pra mim.  

Muito cedo eu aprendi a fazer banding - que eh prender o cabelo com xuxinhas para que ele fique maior. O fator encolhimento ainda eh o que mais me incomoda ate hoje, e que levou a me "autoimpor" a ditadura do afropuff: mais de 90% do meu tempo natural, eu estava com o cabelo preso. Eu AMO o penteado, acho que valoriza demais nossos rostos, e eh sim uma mao na roda especialmente em tempo mais umido em que  encolhimento ataca sem do os nossos fios. Mas viver com o cabelo preso tanto tempo tambem fez com que ele quebre muito, e com certeza ele poderia estar maior se nao quebrasse pelo excesso de tracao. Mas viver eh aprender e essa licao ta entendida!

Pois eh, depois de anos natural, somente ha alguns meses eu fiz as pazes com o meu comprimento e agora desfilo com o meu crespo curto solto por ai. Mais uma "amarra" desfeita! 





Ser crespa pra mim eh algo hoje tao natural que nao me imagino usando meu cabelo de outra forma. Incluindo trancas. A ultima vez que trancei foi em 2015 e fiquei apenas 15 dias pois senti saudade do meu cabelo! 





Quando a gente se entende, se aceita e aprende a se curtir, eh um caminho sem volta. E quando dentro dessa liberdade conseguimos quebrar essas outras amarras sutis que tentam nos aprisionar - a preocupacao com o CACHO perfeito, o BALANCO do cabelo,  com o COMPRIMENTO, com o BRILHO dos fios e tantas outras premissas que na verdade remetem ao padrao de beleza caucasiano, eurocentrico - a liberdade se torna total!

Sim, aos 46 anos sigo plenissima com meu crespo curto, comecando a ficar grisalha, plena e feliz com meu cabelo e minha imagem!!! 




A vida eh muito curta pra gente viver aprisionada pelo cabelo. Experimente essa liberdade de ser quem voce foi criada para ser!


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